Festa No Céu

Havia um grande alvoroço. Cheiro de festa no ar. Nas margens da lagoa grande, as aves tratavam suas plumagens. Todas elas, desde o tico-tico delicado ao urubu rapineiro, banhavam-se nas águas, expunham-se ao sol e penteavam-se, alisando com o bico as penas, até as verem ordenadas, umas sobre as outras, sem o menor desalinho.

“Por que tantos preparativos?”, matutava o sapo cururu, enquanto se banhava.

- Alguma coisa está acontecendo para esse povo que não toma banho todo dia estar nessa faxina... Será que afinal resolveram seguir o meu exemplo?

“Que nada!”, disse a garça, que perto ouvira o sapo resmungando. - Estamos nos preparando para uma festa no céu.

- Como? Então, vai haver uma festa no céu? E eu que não sabia de nada!, disse o sapo indignado. E se encarregou de espalhar entre a bicharada aquela notícia. Dizia que era também convidado e que representaria a todos.

- Imagine... Logo o sapo, tão pesadão, foi convidado? É de estranhar! A raposa desdenhou. - Quem tem boca fala o que quer.

O macaco, despeitado, desacreditou: - Só quero ver sapo voar. E tratou de espalhar a notícia de árvore em árvore, contando as intenções festeiras do sapo. Era de fazer rir a cara dos pássaros ao serem informados disso.

- Quem sabe? Piou o sabiá. - Talvez ele possa chegar lá em cima...

O sapo tinha seus planos para aquela viagem. Visitou o urubu na véspera do grande baile e depois de uma boa conversa despediu-se, dizendo: - Bem, compadre urubu, eu vou andando, o caminho daqui ao céu é muito longo; pretendo chegar cedo, pois quero me divertir bastante.

- Então, você vai mesmo? Disse o urubu. - Como?

- Claro que vou compadre, vou andando.

Aproveitando uma distração do dono da casa, o sapo se esgueirou até o quarto do urubu e se escondeu dentro de sua viola. Fez um grande sacrifício, passou toda noite bem sem quietinho, sem poder coachar, roncar ou suspirar. - Que vontade de coaxar um bocadinho. - Faz tanta falta aqui uma aguinha. Pensava.

Quando o sol nasceu, o urubu viu que já era hora de partir. Foi ao quarto e apanhou a viola.

Partiu voando, batendo as grandes asas e fazendo um enorme ruído: br...rr...rr...rr... O urubu era um grande voador e chegou rápido no céu, apesar de sentir sua viola bastante pesada.

Chegando ao céu, o urubu arriou o instrumento a um canto e foi-se divertir com os amigos.

O sapo, aproveitando a situação, saltou fora todo satisfeito, dando formidáveis saltos, que bem traduziam todo o contentamento de ver o seu plano dando certo. - Quem quiser que pense que sou bobo, ria ele.

A festa foi ficando animada; o maior desfile de aves, com suas coloridas penas, suas plumas, seus bicos polidos, seus cantos sonoros, era um animação só. A essa altura, ninguém pensava ou se dava conta do batráquio. Este, solto naquelas alturas, não cabia em si de contente.

Pelo meio da noite, o sapo julgou-se prudente colocar-se de novo dentro da viola, pois não sabia a hora que o urubu partiria de volta. Era melhor ser precavido, já que poderia regressar pelo mesmo jeito que viera. Procurou a viola e aconchegou-se bem, dentro do seu bojo.

Pelo amanhecer, quando o céu começou a receber os primeiros raios de sol, os pássaros deram por satisfeitos e, um a um, foram tomando seus destinos.

O urubu apanhou a viola e botou-se pelo espaço abaixo: br... br... No meio do caminho, porém, quando fez uma curva fechada, o sapo desacomodou-se, mudando de lugar no esconderijo. A ave sentiu qualquer coisa diferente no instrumento e, espiando, achou o sapo encolhido e amedrontado lá dentro.

- Ah! É assim que você vai a festas no céu, heim, seu atrevido? - É de fato muito sabido, mas minha viola não é condução, por isso tome! Emborcando a viola, o urubu jogou o sapo daquelas alturas em baixo. Este, caindo velozmente, assim mesmo vinha coaxando:

"Béu, béu, béu,


Se desta eu escapar,


Nunca mais festa no céu."

Já próximo do chão, vendo as pedras no caminho, ainda pôde falar: 

 

"Arredem, pedras, saiam da frente! Não deixem que eu me arrebente!"

Mas, com tudo isso, esborrachou-se mesmo em cima das pedras que nem jaca madura, quando cai do pé.

Ao sapo, tais feitos serviram de lição; nunca mais se meteu a festeiro. E até hoje, quando se miram nas águas da lagoa, todos os sapos suspiram, indignados contra aquele parente remoto, que os fez ficarem assim, com um corpo tão chato e tão marcado.

Você Sabia?

Queridos professores: As histórias brasileiras têm a finalidade de divertir. Em geral, na tradição popular, elas relatam fatos hilários, utilizam muito de metáforas com animais e outros personagens. Em “A Festa do céu” podemos utilizar um repertório musical dos sambas de roda. Com essa história você pode incentivar o conhecimento das espécies de pássaros convidados para a festa no céu, os doces e comidas de festa etc.

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