África e Africanos no Brasil, Força e Construção

O Homem surge na África há aproximadamente 100.000 anos. Pouco a pouco esse homem africano foi migrando e se fazendo presente em todo o planeta. Hoje a África está presente em todo o mundo no DNA dos cidadãos de todos os continentes. Na atualidade o continente africano tem uma população de 800 milhões de pessoas, numa área de 30,28 milhões de km², 54 países e lá são falados mais de dois mil idiomas e dialetos.

Da África vieram milhões de escravos que entraram no Brasil até o século XIX, pelo tráfego normal e ilegal. O Brasil recebeu 38% de todos os escravos que foram trazidos para a América.

Ocorreram três grandes ciclos ou levas. A primeira de Guiné no século XVI, que trouxe entre 50 a 100 mil escravos; a segunda do Congo no século XVII, quando vieram cerca de 600.000 escravos; e a terceira da Costa da Mina no século XVIII, com cerca de 1.300.000 escravos, grande parte deles para o baixo sul baiano, até hoje considerado o maior quilombo das Américas.

A África é forte e marcante presença no Brasil, onde os descendentes de milhões de escravos são parte importante do povo brasileiro. Mas fica a pergunta: De que África os descendentes africanos brasileiros podem ter saudades?

Chegando ao Brasil deixavam de ser conhecidos pelo nome, pelo povo a quem pertenciam, pelo clã ou etnia, e passavam a ser denominados africanos, conhecidos pelo continente como se não pertencessem a um grupo específico, não tivessem uma cultura e uma identidade, somente africanos chamados de Angola, Iorubás e Ambundos, negros Nagôs, Jejes, Mina, Congos e Fulas.

Na Bahia houve uma presença marcante dos povos chamados Iorubás, ou seja, os oiós, ifés, egbas, auris, quetos, ijeixás, ijebus, equitis, ondos, igbominas, falantes do quibumgo e ambumgo de Angola. Estima-se ainda a vinda de vários grupos diferenciados, entre os quais andongos, dembos, hungos, quissamas, songos, libolos e bângalas. Eram oriundos do mesmo continente, da Àfrica Subsariana, às vezes conhecidos, às vezes estranhos.

Nas fazendas, nas senzalas, nos porões dos navios negreiros, nem todos eram de um mesmo povo. Possuíam crenças, tradições, costumes e línguas diferentes de muitas Áfricas, provenientes de mais de uma centena de povos africanos. Dentro dessa nova realidade que se impunha aos negros, eles foram obrigados a conviver como um povo só, a se comunicar como podiam e a executar nas Américas tarefas muitas delas que não faziam parte dos seus costumes.

Para entendermos melhor a presença africana na nossa história e seu rico e precioso legado, entretanto, é necessário se conhecer sobre escravidão na história do mundo e na história do Brasil.

A escravidão é uma prática tão antiga quanto a própria humanidade. Ela consiste em um ser humano assumir direitos de propriedade sobre outro ser humano, que passa a ser denominado “escravo”. Na antiguidade, como hoje, ela é fruto das guerras, que ao longo da existência do homem no planeta são fomentadas pela ambição por riquezas, domínio, preponderância, hegemonia e supremacia. Ao longo da história os vencidos tornam-se escravos e expropriados do princípio fundamental de liberdade, perdem o livre arbítrio, o poder de decidir sobre sua vida e são submetidos a trabalhos forçados.

Na antiguidade era uma situação aceita para o desenvolvimento das economias e das civilizações. Existente na história da Mesopotâmia, da Índia, da China, entre os Egípcios, os Gregos e os Romanos, na América pré-colombiana entre os Incas, Astecas e Maias, sempre foi uma forma de subjugar os vencidos, se aproveitando da sua mão de obra para a construção de cidades, expansão da produção agrícola e geração de riquezas.

O modo de produção escravagista surge na Grécia antiga e é posteriormente assimilada e aperfeiçoada por Roma. Com o surgimento da propriedade privada, os chefes de clãs e seus parentes tornam-se nobres e ampliam suas propriedades com conquistas de novas terras. Daí vem a necessidade de ampliar a produção de bens e, consequentemente, de aumentar mão de obra trabalhadora. Essa necessidade gera divisão entre os povos que guerreiam entre si e escravizam os vencidos. A expansão desse modelo econômico ampliou e solidificou o modelo escravagista no mundo.

No continente africano, a escravidão se faz presente por volta de 700 anos A.C. Os capturados das guerras santas na expansão do Islã eram vendidos no golfo pérsico para serem escravizados.

Na África do século XVI, na época do descobrimento do Brasil, as tribos rivais guerreavam entre si e faziam prisioneiros que eram vendidos para árabes e europeus, num comércio lucrativo e em expansão.

Portugal, em meados de 1482, já se fazia presente na costa da África participando do mercantização de escravos para o mundo. Para tal prática, construiu o forte São Jorge da Mina, de onde se calcula que, entre 1450 a 1900, foram comercializados 11.313.000 indivíduos. Na colonização das Américas a presença negra representava mão de obra forte e barata.

Uma das características da escravidão africana na América era ser preponderantemente masculina; 73,6% dos escravos eram homens. As mulheres (26,3%) eram consideradas de menor resistência para o trabalho e para a travessia do Atlântico. A população escrava não tinha como se sustentar pela reprodução biológica, não interessava ao senhor de escravos crianças que requeriam longo investimento em alimentação. Isso gerava e garantia a reposição de escravos através de um comércio pujante e promissor, que atravessava o Atlântico com frequência, repondo mão de obra escrava para as Américas basicamente para o cultivo da cana de açúcar.

Sua influência na colonização e na sociedade brasileira é visível ainda hoje. Com os escravos vieram suas crenças, sua arte, sua música, sua filosofia, seu modo de ver e viver a vida; sua cultura está viva e presente entre nós, impregnada na alma brasileira e americana.

Os africanos da Guiné produziam ferro de alta qualidade, fundiam e construíam fornos. Foram pioneiros da metalurgia brasileira. Eram também garimpeiros e acostumados a batear o ouro. Trouxeram sua experiência de escavação de minas, eram ourives e construíam joias, criavam gados nos estábulos e soltos no pasto, cultivavam arroz e trouxeram o dendê, a pimenta malagueta, o maxixe o quiabo.

Na África, alguns povos, como os Mina, tinham o hábito das mulheres venderem nas ruas iguarias de feijão fradinho fritas, denominadas acará, que deu origem à prática das baianas nas esquinas da cidade de Salvador, na Bahia. Acarajé significa “comer acará”. Teciam em rústicos teares horizontais e verticais suas vestimentas de fibra, cipó e algodão, tingidas de extratos de plantas como urucum, aroeira e barbatimão; construíam seus mocambos, cujas paredes eram de sopapo, numa mistura de terra socada e capim, espremidas entre varetas de madeira e cobertas com palha de palmeira e sapé.

Alberto da Costa e Silva, no seu livro “A Manilha e o Libambo”, no capítulo “A África e a Escravidão de 1500 a 1700”, nos diz que havia ligações preferenciais entre os portos brasileiros e africanos. O Rio de janeiro vincula-se ao porto de Angola, Congo e Moçambique, e recebia, portanto, negros oriundos dos grupos ambundos. Salvador mantinha uma relação intensa com o Golfo do Benin e em seus portos embarcavam negros fons, iorubás, mahis, ibos, ijós e efiques, hauças, nupes, barbas e bornus. São Luiz do Maranhão recebia os negros da Alta Guiné, de Cacheu e Bissau: eram os mandigas, banhuns, pepeis, felupes, balantas, nalus e bijagós.

Na sua cultura a presença na música se faz pelos sons dos corpos, sapateados, palmas, pelos vários timbres, ritmos, e dos seus instrumentos musicais construídos com sementes, conchas, marfins, fibras naturais, peles e couros, madeiras e metais. Sua música tem a característica de ser coletiva, intercalada por solos e coros, e predominantemente dançada com malemolência e jogo de corpo forte, brejeiro. Dançava-se também para reverenciar os deuses e manifestar suas presenças entre os homens.

Você Sabia?

Por Nairzinha

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