Mãezinha do Coração

Vivi era uma menina alegre, sempre de bem com a vida, morava com a sua família numa cidadezinha ensolarada, que parecia adormecida. Vivi acordava com o sol nascendo quente, tomava café fresquinho e ficava prontinha à espera da mãe, que todos os dias levava a filha à escola.

Vestida de saia azul-marinho, blusa branca engomada, rabo-de-cavalo bem no alto da cabeça e sapatos engraxados, a menina desfilava orgulhosa pela rua principal, de mãos dadas com a mãe mais formosa do lugar. Nessa hora, a mãe era só dela: conversavam, riam, faziam planos para o futuro...

Quando voltava da escola, a menina queria brincar, mas a mãe, fingindo-se brava, dizia:

- Querida, venha primeiro almoçar! Saco vazio não para em pé!

Vivi continha a risada e almoçava tudinho, rapando o prato até o finalzinho. Apressava-se, então, para fazer as lições. Fazia o dever de casa com capricho e atenção, sempre bem orientada pela cuidadosa mamãe. Tarefa terminada, a mãe dava-lhe um beijo e lhe dizia então:

- Vá brincar, minha querida! Que graça tem a vida sem alguma diversão?

Vivi corria atrás das galinhas, pulava os muros dos vizinhos, apanhava frutas no pomar. Quando a tardinha chegava, tomava um banho corrido, engolia o jantar e saíam, todos juntos, pela cidade a passear. Sentavam-se no banco da praça, tomavam sorvete na padaria, paravam no portão para uma boa conversa com dona Maria... E, quando percebiam, já era fim do dia! Hora de deitar!

E assim se repetia a mesma rotina, alegre e feliz, da pequena família.

Até que um dia, sem quê nem para quê, a mãe adoeceu. E aquela alegria toda, que reinava pela casa, foi-se encolhendo... E a tristeza ocupando os espaços. Os vizinhos vinham visita-la e conversavam baixinho... Olhos enchiam-se de lágrimas, observando a menina e os irmãozinhos a brincar, desconfiados de que alguma desgraça estava prestes a chegar.

E foi assim, num dia chuvoso, quando até o sol quente se escondeu para chorar, que Deus levou a mãezinha, para nunca mais ela voltar.

O caminho para a escola já não tinha a mesma graça, a comida era insossa, mesmo a mesa sendo farta.

O tempo foi passando, e a menina acabou se conformando com a nova condição. Mas, no caminho da escola, nas longas idas e vindas, ia compondo baixinho uma nova canção, gravando as belas lembranças de sua querida mãezinha no fundo do coração.

Desde criancinha, só você, mãezinha,
Me faz recordar...
Eu papava toda a minha comidinha
Pra depois brincar

 De mãozinhas dadas, você me levava
Ao grupo escolar...
Você foi embora
Onde é, mãezinha, que você está?

Mãezinha, que me beijava
Em troca da minha lição...
Ai, ai! Quem me dera agora
Ter você, mãezinha, do meu coração! 

Fim.

Você Sabia?

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