Maria e Mimi

Maria era uma menina que ficou órfã de mãe quando ainda era pequena. O pai casou-se novamente com uma mulher jovem e bonita, chamada Antônia. Moravam à beira-mar, numa praia tranquila, onde o pai era pescador.

Sempre que podia, Maria ajudava a madrasta a limpar os peixes e a vendê-los na feira. Mas, nos momentos de folga, adorava ficar em seu quarto simples e aconchegante – a melhor parte da pequena choupana construída pelo pai.

Onde quer que Maria estivesse, tinha sempre uma companheira a seu lado: a inseparável cachorrinha, Mimi.

Assim, a menina vivia feliz, apesar de ainda sentir a falta da mãe.

O tempo foi passando, e o pai já velho e doente pediu a Deus que lhe desse descanso. Numa noite tranquila, o pobre homem despediu-se da filha e da mulher e partiu dessa vida em paz.

Antônia e Maria ficaram desesperadas, pois não sabiam como viver sem ele. Tinham de ter coragem e lutar para sobreviver, limpando e selecionando peixes, já que esse era o único trabalho que elas sabiam fazer.

Os dias quentes e longos foram deixando-as tristes e cansadas. Maria emagrecia, mas mesmo assim ficava cada dia mais bela. Sua pele e seus cabelos castanhos estavam agora dourados pelo sol. Aos quinze anos, transformara-se numa bela jovem!

Antônia, cansada do trabalho duro, tornou-se ambiciosa e pôs-se a sonhar em ver a menina casada com um homem bem rico. Isso, com certeza, lhes garantiriam uma vida melhor. Maria, porém, dedicava-se ao trabalho e não tinha tempo para pensar em príncipes encantados. Mas o sonho da madrasta tornou-se um pesadelo! Ela queria arrumar sua vida, nem que para isso fosse preciso fazer um pacto com um malvado! Então, a partir daí, coisas estranhas começaram a acontecer.

Todas as noites, alguém batia à sua porta e cantava com voz infernal:

Maria, abra a porta
Que eu quero entrar,
Com um saco de dinheiro
Que nem posso carregar... 

E logo se ouvia a vozinha doce de Mimi, protegendo sua dona:

 Maria lavou o pé,
Lavou a mão
E foi-se deitar...

Sonolenta, não sabia se era sonho ou realidade.

Mal o dia amanheceu, Maria saiu novamente à procura da cachorrinha. E mais uma noite chegou... E nenhum sinal de Mimi.

Sentou-se, então, na beira da cama e pôs-se a chorar! De repente, ouviu lá fora aquela voz terrível que todas as noites vinha atormentar-lhe o sono:

Maria, abra a porta
Que eu quero entrar,
Com um saco de dinheiro
Que nem posso carregar... 

Maria desesperou-se: quem a protegeria, agora que Mimi desaparecera? Então, uma vozinha fraca e sufocada cantou bem longe: 

Maria lavou o pé,
Lavou a mão
E foi-se deitar...

Breve como um raio, a madrasta abriu a porta, mas só viu uma imensa escuridão! Desconfiada, Maria queria desvendar o mistério que envolvia a sua querida cachorrinha. No entando, a malvada Antônia, fingindo-se de boazinha, acalmou-a com palavras de consolo. Depois de muito tempo, a menina adormeceu.

Levantou-se bem cedo e saiu mais uma vez à procura da Mimi. Ao vê-la sair, a madrasta desenterrou rapidamente a cachorrinha e queimou-a numa grande fogueira.

- Enfim, tudo acabado! Restam apenas as cinzas! – falou a megera.

Maria voltou à noite, triste e desanimada. Deitou-se na cama, fechou os olhos e ficou pensando em sua vida tão sofrida. Perdera a mãe, depois o pai e, agora, Mimi... Seu coração doía por tantas desilusões! E, no cansaço, o sono foi chegando lentamente.

Enquanto isso, a madrasta, atrás da porta, esperava aquele que, pensava ela, viria tirá-la da miséria. E mais uma vez ouviu a terrível voz se aproximando:

Maria, abra a porta
Que eu quero entrar,
Com um saco de dinheiro
Que nem posso carregar... 

E outra vez a vozinha fraca de Mimi respondendo:

Ma-ri-a...lavou o... pé...
Lavou... a... mão...

Neste momento, um vento leve soprou as cinzas de Mimi, espalhando-as pelos ares! Quando a maldosa mulher abriu a porta, alguma coisa estranha puxou-a para fora... E, caindo na escuridão, evaporou-se numa nuvem de fumaça, deixando um cheiro estranho no ar...

Maria acordou assustada e correu para ver o que estava acontecendo. Viu a pequena Mimi transformada em anjo, espalhando um perfume divino pela casa!

Maria entendeu que tinha um anjo protetor e que a partir desse dia sua vida mudaria para melhor...

Fim.

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