Mariazinha e o Gigante

Mariazinha vivia com a mãe, uma pobre lavadeira, numa casinha à beira de um rio imenso. O pai de Mariazinha desapareceu enquanto nadava, levado pela correnteza das águas, quando ela ainda era pequenininha. Por isso, as duas tinham muito medo do rio, e a menina era proibida de chegar perto dele sozinha.

Mariazinha era uma criança encantadora. Enquanto a mãe lavava roupa no rio, ela varria a casa, dava milho às galinhas, cuidava da horta e do jardim. A mãe trabalhava bastante, mas ganhava muito pouco. Apesar das dificuldades, no entanto, as duas viviam felizes...

Certa manhã, a mãe de Mariazinha acordou com uma febre alta e não conseguiu se levantar. Querendo fazer-lhe uma surpresa, Mariazinha pegou a trouxa de roupas sujas e foi lavá-las no rio. Então, uma coisa terrível aconteceu... Enquanto ela esfregava as roupas, dois braços enormes saíram da água e puxaram-na para dentro do rio! Mariazinha desmaiou completamente.

Quando voltou a si, não sabia quanto tempo havia passado. Olhou ao redor e viu que não estava em casa... Estava toda molhada, deitada em uma cama enorme, dentro de uma casa imunda, de teto bem alto... De repente, ouviu uma estrondosa gargalhada:

- Rá! Rá! Rá! – E viu entrar pela porta um gigante tão grande que sua cabeça alcançava o teto!

- Até que enfim você acordou! Agora sim, tenho uma escrava só para mim! Rá! Rá! Rá! – Gargalhava, satisfeito.

Mariazinha ficou apavorada e, levantando-se de um só pulo, escondeu-se atrás da cama. O gigante era horrível! Tinha os olhos tortos e o nariz tão grande que parecia um bruxo. Na boca enorme, tinha apenas quatro dentes, pretos e estragados! As orelhas eram grandes como as de um elefante. E como ele era malvado!

- Ande logo, menina! Você tem muito o que fazer! Vou sair para caçar, e à noite, quando voltar, quero encontrar este boi bem cozido e gostoso – disse apontando um boi enorme, estendido sobre a mesa. – Arrume a casa, lave as roupas e prepare muita água, pois vou querer tomar um banhozinho quando voltar! Rá! Rá! Rá! – continuava a rir, feliz da vida.

Saiu então em passos largos, arrastando um cavalo que levava dois sacos de paçoca para o lanche!

Mariazinha, que tinha apenas dez anos, pôs-se a chorar.

- Que casa suja e horrorosa! Que trapos fedorentos! – disse a menina, tapando o nariz, enquanto colocava as roupas do gigante numa bacia velha e furada.

Mariazinha procurou torneiras pela casa, pelo terreiro e nada encontrou! Viu então um enorme tambor, mas estava completamente vazio! Desanimada, pegou um pedaço de enxada e pôs-se a puxar a sujeita esparramada pelo terreiro. Colheu vassourinhas-do-brejo e, formando um pequeno molho, amarrou-as bem e varreu a casa toda. Depois, pegou um balde com sabão, pôs a bacia com os molambos do gigante na cabeça e, durante um bom, caminhou por um trilho esburacado, até chegar às margens de um rio... Mariazinha parou cheia de surpresa. Estava próxima de sua casa, só que de outro lado do rio!

- Meu Deus, me ajuda! – exclamou. – Que pena eu não saber nadar!

Então, pôs-se a gritar:

- Mamãe! Mamãe! – porém, ninguém respondia.

Chorando lembrou-se de que não podia perder tempo, pois o gigante não tardaria a voltar.

Ensaboou rapidamente os trapos, bateu-os numa grande pedra e estendeu-os ao sol para soltar a sujeira. Em seguida, encheu o balde de água e, arrastando-o com dificuldade, despejou-o no grande tambor do terreiro. A água, porém, mal cobriu o fundo!

Voltou ao rio, enxaguou, as roupas e estendeu-as na grama para secar. Então, levou mais um balde de água para encher o tambor e foi para a cozinha preparar o jantar.

Mariazinha encontrou um tacho enorme:

- Ai que tacho pesado! – E com muito custo conseguiu coloca-lo sobre o fogão. Partiu o boi em vários pedaços e colocou-os no tacho para cozinhar. Depois, voltou ao rio várias vezes, até conseguir encher o tambor! Enfim, voltou para casa com as roupas limpas e despencou no banco da sala!

- Estou exausta! Preciso descansar um pouquinho!

No mesmo instante, um vozeirão trovejou lá fora:

- Mariazinha, venha ajudar a carregar o javali que eu trouxe

Mariazinha correu tão depressa e fez tanta força, arrastando o javali, que acabou dando um jeito na coluna!

- Ai, ai, ai, ai! – murmurou, encolhendo-se de dor.

Mas o gigante parecia não ter coração.

- Deixe de manha, menina! – E deu-lhe um pontapé no traseiro, derrubando-a no chão. O gigante então sentiu o cheiro gostoso do jantar...

- Estou morto de fome! – disse ele. Ao entrar na cozinha, viu o tacho fervendo sobre o fogão. Então, meteu a mão nele, pegou um pedaço de carne e enfiou-o inteirinho na boca! Acabou queimando a língua!

- Ui, ui, ui, ui! – saiu sapateando pela cozinha – Êta carninha boca! – falou, soprando de boca aberta. Foi até o armário, pegou uma bacia, encheu-a de carne e farinha e comeu até se fartar.

- Agora sim, eu tô de barriga cheia! Venha comer, menina!

Mariazinha estava morrendo de fome e comeu um pouco do que sobrou. O gigante, então, pegou um saco de dez quilos de farinha e jogou no tacho, fazendo uma farofa com a gordura e os ossos que sobraram. Em seguida, pôs a farofa no saco.

- Isso é para meu lanche amanhã. Agora, lave o tacho e ponha água pra ferver, que eu vou tomar um banho!

Quando começou a sair fumaça da água, o malvado pôs o tacho no chão e, ali mesmo na cozinha, tirou a roupa e se assentou no mesmo tacho onde antes havia comida. Então, pôs-se a cantar e brincar feito criança, jogando água pra todo lado.

Amedrontada, Mariazinha escondeu-se na sala e ficou esperando até o banho acabar. Só depois que o gigante se deitou e começou a roncar é que ela foi para a cozinha arrumar a bagunça.

Assim, os dias foram passando, sempre na mesma rotina. Só as caças variavam: um dia ele trazia um boi, no outro, um elefante, às vezes um hipopótamo, ora um javali! Enquanto isso, Mariazinha crescia, transformando-se numa bela mocinha, porém muito magrinha, pois trabalhava como uma escrava!

Todos os dias ela ia ao rio lavar roupas e apanhar água e, sempre gritava por sua mãezinha. Mesmo sem obter resposta, nunca perdia a esperança...

Até que em um belo dia Mariazinha viu, do outro lado do rio, um vulto debruçado sobre as águas...

- Mamãe! Mamãe! – pôs-se a gritar a plenos pulmões.

A mãe não enxergava muito bem, mas reconheceu, ao longe, a voz de sua filhinha.

- Mariazinha! Mariazinha! – respondeu, gritando também. E, imediatamente, começou a fazer um barco para buscar a filha. Enquanto isso, para acalmar a menina, ia cantando a seguinte canção:

Encontrei Maria na banda de lá
Vou fazer um barquinho, Maria
E te passar pra cá!

Do outro lado do rio, Mariazinha respondeu:

Oh, minha mãezinha,
Que grande alegria!
Pois já faz um ano, mãezinha,
Que eu não te via!

Rapidamente, a mãe cortou uma porção de bambus, rachou-os em quatro partes e trançou-os, fazendo uma esteira. Cortou um pau de piteiras bem grande e fez dois remos. Cheia de fé e vontade, pôs a esteira na água e remou fortemente, até chegar à outra margem do rio... Mariazinha e a mãe abraçaram-se, rindo e chorando de alegria!

- Vamos, querida! Não temos tempo a perder. – Depressa, subiram no barquinho e remaram rapidamente.

Enquanto isso, o gigante chegou em casa. Vendo que Mariazinha não voltava do rio, resolveu busca-la sem demora. Chegou gritando, nervoso:

- Maria, Maria! Cadê você?

De longe, as duas ouviram a voz do gigante... E ele pôde ver o barquinho quase alçando a outra margem do rio! O homem ficou louco de raiva e, no desespero para alcança-las, mergulhou nas águas com toda força, de roupa e tudo! O pulo foi tão forte que ele atingiu o fundo do rio, bateu a cabeça numa pedra. O gigante desmaiou e acabou morrendo afogado!

As duas pisaram em terra firme e abraçaram-se aliviadas por terem se livrado do gigante malvado. Agora que a mãe recuperou a saúde, nada mais atrapalharia a felicidade das duas!

Fim.

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